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Games E Tech Com Reinaldo #7: Batman, O Inimigo Dentro Não Quer Mais Brincar?

A cada novo game do Batman que surge, sempre acabo dando uma conferida de alguma forma, seja assistindo uma gameplay na internet, vendo algum familiar ou amigo jogar ou quando gosto de verdade, comprando para experimentar. E não foi diferente para “Batman The Telltale Series: The Enemy Within” onde tive a oportunidade de curtir um ótimo game, com uma história bem construída e que me fez compreender melhor muitos acontecimentos deste popular personagem. Neste artigo, trago informações do capítulo final deste game da Telltale, com minha opinião a respeito e uma reflexão sobre a pergunta:

O inimigo que está dentro não quer mais brincar?

No final da temporada de “Batman: The Enemy Within”, temos um Coringa exausto, ensanguentado, espancado e que faz uma pergunta a Batman: “Você já pensou em mim como seu amigo?”. É uma faísca de vulnerabilidade em um personagem que normalmente está semeando descontentamento e causando estragos. Ao contrário de outros pontos nos quais precisamos tomar alguma decisão, nenhum temporizador pressiona você a responder e nesse momento, eu refleti sobre as escolhas que tinha feito até então.

Eu me perguntei por diversas vezes se fingia amizade com ele na busca da justiça, ou se de fato era uma amizade que estava se tornando verdadeira.

Batman e Coringa… Uma amizade por interesses ou que teve momentos genuínos?

Sobre o capítulo final de Batman: O Inimigo Dentro

O último episódio (ou episódio 5) me apresentou convincentemente a ideia de que poderia existir salvação para o Coringa. Que eu poderia usar o senso inabalável de justiça do Cavaleiro das Trevas como um guia e moldá-lo em algo diferente do maníaco que estava surgindo. Mas eu estava errado e falhei na tentativa!

No final, os eventos aconteceram como precisavam acontecer: um palhaço cacarejante e um homem vestido de morcego em lados diferentes da lei. Eu tive uma impressão de certa forma decepcionante, mas só porque me deixei pensar que as coisas poderiam ser diferentes, pois enxerguei esperança onde não havia nenhuma. O fato é que eu comprei a ideia em função da história e acontecimentos ao longo da série. Apesar dessa decepção, o quinto episódio continua sendo um final convincente para uma história em que Batman se torna um participante da criação e ao mesmo tempo seu maior adversário.

O episódio “A Última Risada” traz a ideia de que o Coringa existe por causa do Batman e explora isso diretamente. No ponto onde os quadrinhos permitem que sutileza e muito diálogo revelem a natureza simbiótica entre os dois personagens, a opinião da desenvolvedora Telltale é, com certeza, mais evidente e faz uma declaração mais forte e clara relacionada à essa questão:

Talvez Batman seja a razão pela qual alguns vilões perigosos existem em Gotham e talvez sua cruzada não esteja sendo benéfica para a cidade.

O Episódio 5 foi renomeado como “A Última Risada” na língua portuguesa.

De posse de um vírus mortal e sendo caçada por uma Amanda Waller fora de controle, John Doe sai do esconderijo como o “vigilante” Coringa. Essa é a pessoa que eu criei através das minhas ações como Batman. Sempre que possível, eu depositava um pouco de fé nele, confiava que ele faria a coisa certa e lhe dava o benefício da dúvida, esperando que isso tivesse um impacto positivo de alguma forma.

Apesar das minhas intenções, eu inconscientemente coloquei o Coringa dentro de um caminho para perceber seu destino. O episódio começa com Batman tentando recuperar o vírus mortal em posse de John Doe e impedi-lo de fazer o mal. Amanda Waller, enquanto isso, quer capturar John e Batman e recorre ao uso de mercenários para fazer o trabalho, montando uma espécie de “Esquadrão Suicida”.

Mas os eventos rapidamente saem do controle e tendo sido culpado por matar “O Charada”, o Coringa se concentra em provar que Waller é a verdadeira “vilã” em Gotham. Como Waller argumenta na história, é difícil não concordar com ela que Batman tomou medidas semelhantes em sua cruzada. Essa demonstração de simpatia e a insistência do “Homem Morcego” de que ela enfrenta julgamento em vez de sofrer um destino mais imediato frustra o Coringa, fazendo-o atacar.

A moralidade do Coringa torna-se preta e branca e a Telltale faz um ótimo trabalho ao forçar Batman a admitir que no meio disso há tons de cinza.

O Coringa se molda na história e começa a se tornar o vilão insano que todos conhecemos dos universos das HQs e Cinema.

O rígido código de conduta de Batman e a moralidade inabalável corrói o senso do Coringa com relação ao que significa ser um herói e entrar em conflito com sua necessidade de reparações. O resultado é uma figura mentalmente instável que age em impulsos violentos e vive por um senso distorcido de princípios egoístas. Em vez de deixar John em um tanque de produtos químicos verdes para criar o “Coringa”, o episódio apresenta como a influência do Batman é uma das razões pelas quais o Coringa surgiu.

O episódio consegue ser introspectivo e pensativo, ao mesmo tempo que proporciona muita leveza. O trabalho do Coringa como ajudante do Batman é incrivelmente memorável, graças à excelente atuação de voz e mais do que apenas expressões engraçadas em suas faces. O personagem se comporta como você imaginaria qualquer fã de Batman se tivesse a oportunidade de ir em uma missão com o Cavaleiro das Trevas, divertindo-se e voltando com seu ídolo, percorrendo os inusitados nomes de heróis e vilões que ele considerava antes de chegar ao Coringa, passeando alegremente no Batmóvel e tendo o apoio do Alfred.

Este episódio também retrata um Alfred mais proeminente e significativo. Um personagem importante e que esteve presente em cada passo da jornada de Bruce, desde a criança órfã até o herói vigilante, que começa a perceber que talvez tudo tenha sido uma influência negativa, permitindo o estilo de vida destrutivo de Bruce Wayne e falhando em seu trabalho como pai substituto.

A Telltale dá alguns passos corajosos para mudar a dinâmica entre os dois personagens e será interessante ver como isso irá se desenrolar em futuras temporadas, se acontecerem. Tomara que sim!

Um Alfred que começa a refletir se tudo faz mesmo sentido.

Uma opinião final com reflexão

No geral, o quinto episódio do game “Batman: The Enemy Within” oferece muitas emoções e chega à uma conclusão satisfatória para a história. Embora existam algumas lutas que são dinâmicas para assistir, grande parte da jogabilidade continua focada em caminhar pelos ambientes e interagir com os pontos de interesse. É uma pena que a série como um todo não oferece outras possibilidades para resolver os puzzles, como aconteceu no início, mas dada a recompensa satisfatória da história, é fácil perdoar.

Ao longo da temporada, o game desenvolveu delicadamente John Doe e puxou as cordas para posicionar Batman como um jogador-chave no surgimento do Coringa. Embora a primeira temporada tenha ficado um pouco próxima demais dos mitos estabelecidos e tenha terminado de forma desoladora, a segunda é uma memorável história da origem do Coringa e onde os fãs deveriam fazer questão de sentir a experiência…

E refletir se a cruzada de Batman é realmente necessária, já que o inimigo dentro parece que não quer mais brincar.

Espero que gostem deste artigo e sintam-se à vontade para conversarmos, para me seguir no Twitter e me adicionar na Xbox Live (os links estão logo abaixo). Grande abraço e até o próximo artigo!

A jogatina foi realizada no Xbox One (ver abaixo) e indico para todos os gamers que curtem histórias do Batman e o estilo de jogo da Telltale. Batman The Telltale Series: The Enemy Within está disponível também para PlayStation 4, Microsoft Windows, Mac OS Classic, Android e IOS.

Gamertag: reavargas

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Aproveite para acompanhar o trabalho do autor também no UniversoNERD.Net … 🙂

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